Transformação de eletrofiltro em filtro de mangas reduz emissão de particulados a 20 mg/Nm³
Em 2008, a fábrica de cimento da CCB – Cimpor Cimentos do Brasil – em João Pessoa (PB), passou a operar com um precipitador eletrostático equipado com filtro de mangas em lugar do eletrofiltro. A modernização foi realizada por duas razões, explica Vagn Andersen, gerente de engenharia do grupo cimenteiro: reduzir a emissão de particulados e aumentar a eficiência operacional do precipitador.
“Tínhamos a opção de reformar o eletrofiltro, em lugar de transformá-lo em um filtro de mangas. Seria o mesmo que investir na reforma de um carro velho em lugar de torná-lo operacionalmente melhor e, ainda, com ganho ambiental”, explica o engenheiro. A decisão foi reforçada pelo custo do projeto desenvolvido e realizado pela Bernauer, mais econômico pelo aproveitamento da carcaça do eletrofiltro, ventilador e tubulação já existentes no sistema anterior. “Transformar o eletrofiltro custa menos que comprar um filtro novo”, compara Andersen. O mesmo tipo de retrofit já foi realizado nas unidades da Cimpor em Cezarina (GO) e Candiota (RS).
Conversão
Segundo Maurício Markus, diretor técnico e industrial da Bernauer, o retrofit realizado no precipitador da fábrica da Cimpor consiste da modificação de um filtro eletrostático existente, que não estava atendendo aos níveis adequados de emissão, para um filtro de mangas com sistema de limpeza automático por jatos de ar comprimido.
Para isso, foram aproveitados a carcaça, plenuns, a estrutura e os elementos de descarga de pó do eletrofiltro existente. Internamente na carcaça, foram instalados cabeçotes completos, com mangas e gaiolas, além dos reservatórios de ar comprimido. “Aproveitamos, inclusive, a parte superior do eletrofiltro, funcionando como um walk-in plenum”, explica Markus. A entrada de gases do sistema antigo foi mantida, mas a descarga foi modificada devido ao novo arranjo. Um novo ventilador centrífugo instalado descarrega o ar limpo na atmosfera através de uma chaminé de descarga, com valor de emissão de particulados máximo de 20mg/Nm³.
O sistema atual aspira e filtra os gases quentes provenientes de um resfriador de clínquer. Os gases que contém particulados são aspirados por um captor e conduzidos através de uma tubulação de exaustão para um resfriador de gases, onde sua temperatura é reduzida para cerca de 120°C, e conduzidos ao filtro de mangas do precipitador eletrostático existente. Os particulados retidos no resfriador de gases e no filtro de mangas são descarregados através de roscas transportadoras e válvulas de pêndulo duplo e, dependendo de suas condições de reutilização, podem retornar ao processo produtivo.
Com o eletrofiltro, lembra Andersen, as emissões eram limitadas a 50 mg/Nm³, dentro do máximo permitido pela legislação ambiental. O problema é que qualquer falha no sistema aumentava o nível de emissões, sem qualquer margem de segurança para a operação. “Com um novo filtro, ainda que uma das mangas seja danificada, as emissões continuam bem abaixo do limite máximo”, afirma.